Canção de Lisboa, de origens medievais cujas raízes suscitam discussão, entre os ritmos africanos do Lundum trazidos para Portugal pelos escravos, ou os cantigos saudosos de mouros retidos pela reconquista, o fado, canção popular e até marginal, adquiriu estatuto social a partir da década de 40, pelo aparecimento de cantores de excepção como foi Amália Rodrigues.
O fado é uma canção de marginalizados da vida, onde sentimentos como revolta, a dor ou saudade - essa palavra que muitos continuam a querer intradutível - o confirmou como algo inerente à alma portuguesa. Por isso, ele é incomparável e único, só podendo ser sentido por aqueles que verdadeiramente o professam: uma canção gritante e sentida, como as cordas tangentes das guitarras que identificam o seu som característico e inigualável.
O fado é, pesem as variantes mais ou menos tradicionais, bom ou mau, de acordo com os seus intérpretes - cantores e instrumentistas - que, diariamente, ao longo do último século o mantêm vivo mercê da entrega total que faz de cada actuação um momento único e irrepetível. Este é, provavelmente, o seu único e grande segredo.
É com a responsabilidade de uma casa centenar e de ser ouvido por ouvidos atentos, que apresentamos um elenco inigualável.